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terça-feira, 12 de junho de 2012

‘Diário da insignificância'

No ateliê, Ferrão planeja uma nova exposição  
Elen de Souza - Pouso Alegre

No ateliê recém construído, dezenas de quadros ainda embalados se misturam com esculturas que moldam a essência de um artista. Ferro, pedra, papelão são revestidos em um contexto que esboçam a simplicidade de Jeferson Ferrão. Com quase 30 anos de carreira, a discussão e reflexão sobre os valores e significados atribuídos a arte, deu origem a exposição 'Diário da insignificância', que aconteceu em Pouso Alegre este mês.

Na infância, para poder pintar, Ferrão misturava cola branca com terra de diversas tonalidades, assim conseguia extrair da natureza as tintas coloridas que não tinha condições de comprar.   Com a arte impregnada nas veias, aos 19 anos com um desejo no coração e uma mochila nas costas mudou-se para São Paulo.

Na capital paulista, o jovem da pequena cidade de Cruzeiro, foi aprovado em curso no Escritório Brasileiro de Arte. A exposição de formatura em 1982 revelava que a essência bucólica nunca deixou de estar presente em seus momentos criação. Em meio aos traços e cores, havia sempre o contraste entre o urbano e o rural. “O artista é a sua própria obra”, enfatiza.

Peregrino morou em diversos lugares do Brasil, mas ao casar-se com uma pousoalegrense fixou residência nas terras do Mandu e fundou o Ateliê Mineiro, com foco na arte popular e principalmente na pintura naïf. "Vincular o rudimentar com a cultura popular é a minha leitura da arte contemporânea".

Construções estéticas particulares, cores primárias e sem a necessidade das técnicas acadêmicas, são algumas características na arte ingênua, o Naïf, que conquistou a profunda admiração de Ferrão. Hoje o artista que carrega em si, as raízes da cultura interiorana, planeja um espaço em seu ateliê para desenvolver uma galeria de exposição naïf.

Envolvido em um universo paralelo de criações, utilizando da xilografia a fotografia, segue mesclando, inventando e compondo seu diário. Recitando Raul Seixas, ele define parte de si eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis, mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado. Porque foi tão fácil conseguir,  e agora eu me pergunto, "e daí?".

domingo, 10 de junho de 2012

Música no ar

O músico, Genézio Vicente Pereira atua na banda desde 1959
Sibele Cristina - Tocos do Moji

A Banda Lira Tocos Mojiense completa em 2012, oitenta e cinco anos.  Inúmeras pessoas fizeram parte dessa família de músicos, dentre elas, uma em especial, um dos integrantes mais antigos, e que hoje, se orgulha em dizer que participa há mais de cinquenta anos dessa história.

Genézio Vicente Pereira faz parte da Banda Lira Tocosmojiense desde o ano de 1959, que no início tinha o nome de Banda Lira Nossa Senhora Aparecida, e sempre tocou clarinete. Desde criança existiu o interesse pela música, aprendeu a tocar o instrumento com Zé Pereira, o primeiro maestro e professor da banda.

O músico ficou fora da banda por um tempo, quando saiu de Tocos do Moji, para tentar a vida em São Paulo, mas mesmo assim, ele não ficou longe do que mais gostava de fazer. Na terra da garoa, tocou durante dois anos em uma banda italiana, que era composta por nove integrantes, que entoavam marchinhas de carnaval e músicas de fanfarra. Mas em 1997, voltou para Tocos do Moji e retornou a banda de origem, nessa época tinha dezesseis integrantes.

Senhor Genézio, conta com os olhos marejados, que hoje, depois de oitenta e cinco anos, é muito diferente. Relembra que faziam apresentações somente em festas de igreja, mas não era fácil como agora, que tem ônibus para levar os músicos, “naquele tempo, tinha que gostar muito para continuar firme na banda”.

De acordo com o músico, tinham que carregar os instrumentos no braço, e chegar até o local da apresentação, a pé ou a cavalo. Fazia sol ou chuva, lá estava os músicos reunidos, caminhando estrada a fora para mais uma exibição, se o local fosse um pouco mais distante, dormiam em um espaço improvisado pelas escolas.

Dá para perceber nos olhos de Genézio, a saudade que tem dessa época que marcou história. A relevante lembrança na memória é a alvorada. As 5h da manhã, os músicos tocavam para acordar a população, e logo depois, biscoitos e broas eram servidas na peneira. “Ah meu Deus! como era bom, quando fecho os olhos posso até sentir o sabor que aquelas rosquinhas tinham, e o amor que a banda sentia em realizar as alvoradas, cada nota no instrumento era uma expressão de satisfação”.

Senhor Genézio, não só é um dos integrantes mais antigos da banda, como foi um dos que lutaram para que ela não chegasse ao fim, pelas dificuldades como a falta de estrutura.

Uma das apresentações que o músico nunca vai se esquecer foi em Borda da Mata, quando tocaram no coreto da cidade que ficava no alto, onde todo mundo podia ver perfeitamente. “Nossa aquele dia foi emocionante, ficamos no alto, no meio da praça, todos nos aplaudiram com muita emoção”.

Traços rurais

O mineiro, José Raimundo pretende levar a arte naif a São Paulo
Wilker Cardoso - Pouso Alegre

Uma grande parede pintada, uma escada toda desenhada de preto com pontos a perder de vista, quadros e esculturas de tons primários, a vida rural esboçada, na entrada da sala, do artista plástico José Raimundo. O ar de atualidade distante da temática ruralista de suas obras faz o visitante perceber de onde vem a inspiração do artista.

Em Poços de Caldas no Instituto Moreira Sales, sua última exposição contou com 40 quadros, a maior mostra em onze anos de carreira. A entidade é referência no meio artístico nacional explicou o curador do artista Ferrão.

A conversa, regada a café no ateliê com cheiro de tinta fresca, José Raimundo com semblante tranqüilo, conta que na hora de compor suas obras, pensa na infância e juventude. A influência do contexto que viveu é bem notável nos quadros, “eu pego uma tela branca e vou pensando naquela época que eu vivia lá, os bichos, cercado, árvore e lago. Então eu já vou definindo a tela, e no pensamento, lá no tempo que eu vivia na roça”.

Raimundo faz parte dos artistas naif, que define aqueles que não têm formação acadêmica em arte. No entanto a autenticidade é uma característica das obras dessa corrente artística. Usa de tinta acrílica em tela de tamanhos de 40 x 50, 50 x 70 e até 1x1 e de 2 x 1,5, também pinta em pedras, esculturas de animais e banquinhos de madeira.

O inicio da carreira começou logo depois que José Raimundo foi trabalhar como jardineiro na casa do artista Ferrão, hoje seu curador. No vai e vem das exposições e na observação do desenvolvimento das obras, o jardineiro percebeu o cotidiano de um artista. “O artista é além da obra, é o dia a dia as coisas que ele faz para construir a obra”.

Foi nesse tempo que Ferrão pediu ao amigo e jardineiro para cuidar da casa enquanto fazia uma viagem, como Zé já desenhava e esboçava algumas figuras Ferrão preparou uma surpresa, deixou tela, pincel e tinta com uma carta dizendo “tudo que o senhor desenhou até agora foi isso aqui, então coloca na tela”.

O quadro ficou tão bom que Ferrão decidiu mandar para a bienal naif de Piracicaba, a obra foi selecionada pelos críticos de arte e diretores de museus “de lá pra cá eu decidi não parar” conta Raimundo.

Críticos de arte levaram a obra do artista para outros países como Israel e Japão, “vieram artistas japoneses expor aqui no ateliê Mineiro e conheceram a obra do José Raimundo daí resolveram levar pra lá” comenta Ferrão.

A repercussão da obra se baseia no valor financeiro dos quadros do artista, as primeiras pinturas eram cotadas entre R$200,00 e R$400,00 “hoje um quadro dele de 40 x 50 dá R$1400,00 e isso já é um reconhecimento do próprio mercado” comenta o curador.

Agora a intenção é expor em alguma galeria em São Paulo, mas para isso acontecer, um quadro dele precisa passar por um leilão, com a disputa entre colecionadores vai taxar um valor e divulgar a obra, explica Ferrão. Em outubro Zé Raimundo pretende expor no Ateliê Mineiro, próximo ao aniversário de Pouso Alegre, que terá uma coletiva naif.

Andarilho das estrelas

Éder Di Malte grava CD, estilo pop rock, com 12 faixas
Jailson Silva - Pouso Alegre

“Nessa estrada tão deserta aonde os sonhos vem e vão, eu vou alto aqui de baixo, com as asas da imaginação. Eu vivo um dia a cada noite, num aplauso ou multidão. Conheço tal caminho certo, mas prefiro a contramão”. Essa é a música de trabalho do compositor Éder Di Malte de Pouso Alegre que depois de dez anos de carreira grava seu primeiro CD “ Andarilho das estrelas”
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Com boné na cabeça, um estilo romântico ele revela já foi roqueiro. Hoje com 31 anos, o mais velho de três irmãos, o cantor conta que com 21 anos decidiu largar tudo para viver da música. A sua primeira banda nunca saiu da garagem de sua casa, passou por diversos nomes, o último deles: 4 Estações. Quando a banda terminou, os equipamentos foram divididos, o que restou foi apenas um microfone e o sonho de continuar.

No começo era apenas um hobby, mas com o tempo tornou-se sua profissão. Suas primeiras músicas eram no estilo rebelde, mas com o passar do tempo deram espaço as românticas. Seu primeiro instrumento foi um baixo, depois violão até chegar ao teclado. Para ele a música “Andarilhos das Estrelas” é sua canção de libertação. “Sempre foi meu desejo de tocar sozinho”. As primeiras músicas eram inspiradas no artista Paulo Ricardo do RPM, embora seu estilo fosse diferente.

Éder tem um estúdio de gravação, espaço que ele utilizou para gravar seu CD. Muitas vezes deixou de lado nesses anos o seu projeto para fazer outros trabalhos. Além de cantar, ele é compositor. Todas as composições do CD são de sua autoria. Sua primeira inspiração musical foi “Força de um Amor” quando ele tinha apenas 14 anos.

Sentados em volta da mesa, sua mãe Dagmar conta que desde criança o filho já se mostrava um apaixonado por música. “Nós morávamos em Extrema, com 4 anos ele cantava o dia todo a música Fuscão Preto”. Determinado, ele nunca teve dúvida de escolher o caminho da música. “O meu sonho sempre foi o mesmo, nunca tive um sonho diferente”. Sua primeira experiência profissional aconteceu em 2002 quando formou uma dupla que durou apenas um ano.

Atualmente ele faz shows em Pouso Alegre e todo o Sul de Minas, além do interior de São Paulo. O repertório do CD é no estilo Pop Rock, vem com 12 músicas. “Pra mim esse trabalho é o nascimento de outro artista, porque as músicas que canto são diferentes dos meus shows”.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Do chão às telas

Regina Rennó busca recursos para o documentário 

Adélia Oliveira - Itajubá

Com belas palavras e um desejo artístico encantador, semblante alegre e coração cheio emoção, Regina Coeli Morais Rennó conta dos seus projetos. A gravação de um documentário é a realização de um antigo sonho. A artista da Fundação Guignard, há 35 anos, trombou de forma rara com o poema 'Triste Horizonte', de Carlos Drummond de Andrade.

Após todos esses anos, o projeto foi aprovado pela Lei Rouanet. Juntamente com sua equipe dará início à gravação do filme intitulado com o mesmo nome do poema, que está em fase de captação de recurso.

Em 1977, quando Regina estudava em Belo Horizonte, em plena ditadura militar, um avião teco-teco sobrevoou a cidade. Papéis eram atirados do avião com o poema nele impresso. Tempos férteis aqueles, em que os artistas, assim como a imprensa, enfrentavam no chão ou até mesmo de avião todas as censuras e proibições do governo.

Esse fato dos papeis atirados se deu em protesto contra a exploração de minério em Minas Gerais, o que estava acabando com a paisagem da região. "Eu passava pela Afonso Pena e apanhava um destes papeizinhos que caíam do céu", conta emocionada.

O documentário será feito na forma de entrevistas, com pessoas que viveram naquela época, para mostrar como a arte pulsava então, e como a cultura estava em plena efervescência na capital mineira que, por outro lado, padecia com a exploração das mineradoras. “Um contraste de vida e morte, que nós vamos colocar nas telas”, relembra.

Paixão pelos traços

Com um largo sorriso no rosto Regina conta que desde que se entende por gente, já desenhava. Ela afirma que as artes plásticas sempre fizeram parte de sua vida.

Natural de Itajubá, mas apaixonada pela capital mineira, cidade onde reside. Desde 1981 está no mercado editorial. Começou como ilustradora de livros de outros autores.

Em 1987, passou a fazer livros de imagem, sem texto. A partir de então, publicou 30 títulos de livros de imagem. Ao todo são 50 títulos publicados, além de dezenas de ilustrações de outros autores.

Ao fazer referência ao desenho, a artista fala que, a sensação enquanto desenha é de voar, voar e voar.

Para chegar aonde chegou os caminhos não foram simples e fáceis, mas Regina é grata a todos que cruzaram seu caminho e aos que com ela percorreram e percorrem nessa jornada.

Bodas do canto

Amaury Vieira Fernandes, coordenador do Laboratório Canto Coral
Elaine Romão - Itajubá

Com os cabelos brancos e um sorriso no rosto Amaury Vieira Fernandes trabalha em sua sala em uma universidade de Itajubá. O simpático senhor com ar de avô e jeito de professor é o regente, maestro e coordenador do Laboratório Canto Coral da cidade, que este ano comemora 25 anos.

Dedicação, persistência e muita música fizeram com que o evento idealizado nos meados dos anos 80 pela Funarte (Fundação Nacional de Arte) escolhesse Itajubá e outras duas cidades brasileiras para o trabalho. Os anos passaram a ditadura caiu, e na era Collor a Funarte também.

Sem incentivo financeiro o maestro decidiu dirigir e assumir o projeto “a semente tinha germinado”. Hoje a cidade é considerada a capital mineira do canto coral.

Acordes históricos

Com o fim da era Vargas o canto orfeônico implantado nas escolas brasileiras através de Heitor Villa-Lobos sucumbiu. A contemporaneidade exigia um canto coral que pudesse transpor  os muros das escolas e ganhar  comunidades, empresas, igrejas e tantos outros grupos organizados. Partiu-se então para a identificação de regiões onde havia potencial para esta demanda.

A Funarte resolveu dinamizar o canto coral do interior brasileiro. Foi então oferecida a algumas cidades uma oficina coral com profissionais competentes, experientes e com vontade de transformar a cultura musical daquela região do país. Itajubá foi escolhida para sediar o “Laboratório Canto Coral”.

Em 1982 chega ao município um senhor calvo, com uns poucos cabelos brancos. Era o enviado da instituição, para realizar a oficina coral com jovens itajubenses e das cidades convidadas para assistir as aulas do Maestro Oscar Zander. “Ninguém sabia direito o que aconteceria. A princípio, com certo ceticismo, criou-se uma grande interrogação, o que seria o laboratório coral. Aquele velhinho daria conta da energia de uma juventude sedenta de transformações?”.

Após uma semana veio à resposta, uma apresentação de 45 cantores corais entre eles Amaury, na Igreja Matriz N. S. da Soledade, sob a regência de um excepcional maestro, ávido de mudanças no cenário coral do Brasil. “Aquele velhinho que vi no primeiro dia, transformou-se num pedagogo de alta estirpe”.

Um maestro conseguiu, através de tempo integral (manhã, tarde e noite) montar um programa coral e o apresentou ao público em sete dias.

No ano seguinte, Zander participou do laboratório. ”Simpático, tomando cerveja e comendo peixe no Bar do Pai, se dispunha a falar de música após 12 horas de trabalho”. Um ano depois o mestre morreu.

De órfão a genitor

Com a morte de Zander e o fim do apoio da Funarte, Amaury juntamente com o maestro José Rezende Vilela de Brasópolis e Osvaldo Raposo Júnior de Alfenas, decidiu dar continuidade ao projeto.

Todos os anos os três se encontravam com o Brasil Coral através do Painel Nacional de Regência Coral, encontro que mudava de estado anualmente. “Ali buscávamos mais informações e informávamos os maestros sobre a ideia que havia vingado em Itajubá”.

Nestas visitas o regente conheceu Samuel Kerr, um dos maiores incentivadores na continuidade do Laboratório Coral. Em seguida, Reynaldo Puebla, grande especialista musical do país, Nelson Mathias e tantos outros profissionais que passaram pelo evento.

Regendo vidas

Itajubá é uma das referências nacionais em Canto Coral. Na cidade, existem cerca de 50 corais em atividade, mantidos por instituições de ensino, associações, empresas e projetos culturais. O Laboratório Coral contribui para manter essa tradição artística ativa.

Anualmente recebe cerca de 100 coralistas vindos de todo Brasil. Os participantes têm uma semana de atividades relacionadas ao canto, tais como, técnica vocal, expressão cênica e ensaios.

Nestes 25 anos o encontro contribuiu para a formação de dezenas de pessoas que atuam na modalidade. “Estou comcabelos brancos e a sensação de missão cumprida”.

domingo, 20 de maio de 2012

Jazz na estrada

Sandro Nogueira, um dos idealizadores do Conexão Minas Brasil

Elen de Souza - Pouso Alegre

O jazz deixou os saloons e bares de Nova Orleans, ultrapassou as vielas urbanas e ganhou força no interior mineiro. Um dos responsáveis por esse impulso musical é o  guitarrista e pianista Sandro Nogueira,  com sua trump do projeto Conexão Minas Brasil, percorre diversas cidades do sul de minas.

Com essência a La mambembe, o projeto itinerante busca realizar a junção de dois segmentos importantes na vida de Nogueira: arte e educação. O músico que também é pedagogo, além das apresentações musicais, busca através de workshops e debates colocar em pauta novas perspectivas para a música na escola. “Essa iniciativa tem como objetivo conectar os músicos e instituições que trabalham com arte e educação em geral”.

Com um pé no clássico e outro na modernidade, ele busca promover a aproximação do público com o jazz e a música instrumental contemporânea e introduzir uma reflexão que transcende o mundo da música e atinge também o lado social, pois os eventos realizados são em sua maioria gratuitos e de livre acesso à população.

“A ideia é realizar eventos com freqüência para que as pessoas acostumem a ir assistir aos shows”. O músico faz referência ao fato que música instrumental muitas vezes está associada ao fator sócio econômico, ou seja, música para classe A.

Em suas andanças musicais, Nogueira busca sempre inserir nas apresentações músicos de destaque nacional e que são referência para o jazz brasileiro, como o guitarrista Michel Leme com quem realiza um “dialogo musical”, com diversas improvisações sonoras. Os músicos se conheceram há muito tempo em um evento, de lá para cá a parceria entre eles é freqüente.

Seja no Conexão Minas Brasil ou nos outros diversos projetos culturais que Nogueira faz parte, aos pouco o jazz e a música instrumental se solidifica em Pouso Alegre e também na região. Graças ao pioneirismo deste instrumentista, este estilo musical conquista adeptos e aos poucos surgem também novos talentos para o jazz sul mineiro.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Da música à poesia

Luis Roberto Silva  lança o livro Repostas em festival de poesia

Lysa Almeida - Pouso Alegre

O professor e poeta Luis Roberto Silva, mais conhecido como Beto Silva, nasceu em Três Pontas, no sul de Minas. Na cidade natal começou a carreira profissional, foi muito influenciado pelo Clube da Esquina, movimento musical mineiro que despontou no cenário nacional, nos anos da ditadura militar.

Aos 15 anos mudou-se para Ouro Preto, e começaram os primeiros ensaios teatrais e poemas. Ao completar 19 anos, começou a se interessar pela música, sua canção ‘Hino do Povo’ foi premiada em um Festival Universitário da Canção de Minas Gerais, em 1981. 

Muito envolvido com a literatura durante o regime militar sofreu uma forte repressão, pois estudantes da UNE (União Nacional dos Estudantes) usaram alguns refrões de sua música para protestaram como, por exemplo, ‘porque a pátria é do povo e ninguém tomará’, perseguido por muito tempo, até que os militares tivessem certeza de que o compositor não pertencia aos grupos de oposição.

Depois que a perseguição passou, Beto retomou a rotina, continuou escrevendo poemas, peças teatrais, participando de festivais. Atualmente, o professor tem dois livros editados. “Editar livro para mim não é o mais importante, e sim, escrever e poder colaborar com as pessoas”.

O ano de 1981 foi um dos momentos mais importante de sua vida, foi quando ele participou do Festival da Canção de Minas Gerais, pode notar como estava influenciando a vida das pessoas, ele cantava e a população se envolvia com a canção, em pleno regime militar, ele fez uma grande diferença e atraiu muita admiração.

“Retirei-me da música em na década de 80 devido à repressão do regime militar, com muito medo”. Depois de 10 anos, voltou compondo poemas, e peças teatrais, dedicando hoje a sua vida a docência. Beto Silva afirma que o regime militar não atrapalhou a sua vida, nesta época a população deveria falar em códigos, e falando em códigos, ele aprimorou o lado crítico, era necessário pensar e agir rápido.

Em 1999, um livro seu foi premiado, em Londres, durante um festival acadêmico, ‘Anjos da Terra’ traduzido para vários idiomas, na obra havia poemas de sua autoria e ilustração do amigo, o artista Ailton Gobira, que também foi premiado.

O segundo livro ‘Respostas’ - poesias brasileiras lançado recentemente no 1º Festival de Poesia, realizado pelo SENAC, e outro livro esta para ser lançando, o professor conta que esta esperando o momento certo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ao som de Beethoven

Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto toca pela primeira vez em Cambuí

Gorete Marques - Cambuí

A Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto (OSRP) se apresentou pela primeira vez em Cambuí, no último Sábado (12). Os músicos foram aplaudidos em pé durante a interpretação da 6ª Sinfonia do compositor Ludwig van Beethoven. O evento aconteceu na Igreja Nossa Senhora do Carmo, às 20h30min, com duração de aproximadamente duas horas. 

A orquestra entoou os acordes em um ambiente fechado. Segundo o regente, Reginaldo Nascimento, a amplificação sonora distorce o som dos instrumentos. “É uma característica nossa, optamos por apresentações em lugares fechados e com público pequeno”, afirma. Jésus Andrade, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo cedeu o espaço e o evento foi realizado logo a após a missa.

A orquestra apresentou um repertório com nove sinfonias. Na abertura os músicos interpretaram a Ária da Suíte III de Johann Sebastian Bach. “A apresentação foi muito boa. Tocamos musicas difíceis.” A platéia se levantou para aplaudir a apresentação da 6ª sinfonia de Beethoven considerada uma das mais complicadas pelo regente.  

Jéssica Franciele Ribeiro chegou mais cedo para reservar um bom lugar, “É uma espetáculo muito bonito. A gente precisa aproveitar a oportunidade. Não é todo dia que acontece um show assim em Cambuí”, conclui.   Ela e grande parte do público acompanharam um concerto com músicos deste porte pela primeira vez.

A OSRP é uma das mais tradicionais do Brasil. Está em atividade há quase 74 anos sem interrupção. Atualmente conta com 55 instrumentistas, fundada em 1938 pelo alemão Marx Bartsch. É a segunda orquestra mais antiga do país, perdendo apenas para a Orquestra Sinfônica do Recife que nasceu em 1930.

O grupo fez poucas visitas ao Sul de Minas ao longo da carreira. Já realizou um concerto em Pouso Alegre e se apresenta no domingo (13) pela terceira vez em Varginha. O evento comemora um ano da reinauguração do Teatro Capitólio de Varginha. O concerto está marcado começa às 20h. O endereço é rua Presidente Antonio Carlos, 522 – centro. A entrada é um quilo de alimento não perecível.  

domingo, 22 de abril de 2012

O número 1

Robson Miguel, primeiro lugar no ranking mundial de violonistas
Elen de Souza - Pouso Alegre

O público silencia- se diante das melodias tocadas pelo violonista Robson Miguel. Dono de um de um talento nato, o músico consegue extrair do violão sons que se assemelham ao de outros instrumentos, como o cavaquinho, cuíca, caixa ou berimbau. Estas são algumas habilidades que fizeram o músico torna-se referência mundial, ocupando atualmente o primeiro lugar no ranking mundial de violonistas.

A carreira internacional teve inicio em 1991, quando foi representar o Brasil na Espanha em um evento que reuniu 67 violonistas em comemoração aos 500 anos do descobrimento da América. “Tive a oportunidade de ficar e morar na Espanha por quatro anos, lá é o berço do violão, pude me aprimorar ainda mais como músico”,  comenta Miguel.

Morando no exterior, foi contratado por uma emissora de televisão espanhola e embarcou em uma turnê pela Europa realizando apresentações com um repertório multicultural, que transitava do samba carioca aos clássicos de Bach. Em pouco tempo Robson Miguel conquistou a crítica internacional e uma legião de fãs.

Da Espanha ele trouxe o reconhecimento, a experiência de vida e uma forte paixão por castelos medievais. “Visitei muitos castelos na Europa, pois descobri que o violão era um instrumento tocado para alegrar os reis, isso despertou algo dentro de mim”, afirma o violonista.

Após regressar ao Brasil o músico concretizou um sonho digno de conto de fadas, construiu um castelo onde vive até hoje com a esposa.  O imóvel fica em Ribeirão Pires, no interior de São Paulo. Segundo ele para visitar todas as dependências do lugar gasta-se mais de duas horas. “O castelo virou um ponto turístico, é bem conhecido na cidade, é só chegar lá e perguntar que todo mundo conhece”, comenta.

Entre um show e outro, Robson Miguel encontra tempo para dedicar-se também há um projeto paralelo de evangelização através da música. Evangélico desde criança realiza apresentações pelo país em cultos que ele denomina como cultos evangelísticos. “As apresentações são em igrejas evangélicas, mas eu espero a presença de pessoas de diversas religiões e apresento canções de louvor e também canções do mundo”, explica.  Para o artista o importante é tocar músicas que tenham belas letras e reunir as pessoas em um único propósito: louvar a Deus.

Humilde e simpático, excêntrico na maneira de viver e se vestir e dono de uma genialidade musical, o número um do mundo segue rumo a mais uma viagem internacional representando o Brasil em grande estilo.

domingo, 24 de julho de 2011

6º Fórum Sul Mineiro de Cultura










Dias 17 e 18 - 4ª e 5ª feiras
8h às 18h - Oficina de Elaboração de Projetos Culturais (50 vagas) "Cidades e políticas públicas de cultura"

Dia 23 de agosto - 3ª feira
14h - Tema: Iceberg da produção artística
Maestro Jean Reis - São Paulo

15h - Tema: "El Sistema" um modelo a ser seguido
Profª Regina Rezende Vilela - Pouso Alegre

16h - Coffe break

20h30 - Apresentação Big Band do Conservatório
Local: Auditório do Conservatório

Dia 24 de agosto - quarta-feira
14h - Tema: "Os (re)significados dos espaços públicos".
Profª Ana Eugênia Nunes de Andrade - Univás - Pouso Alegre

15h - Tema: "Resgate histórico-cultural de Pouso Alegre"
Profª Maristela Saponara

15h40 - Coffee break

16h - Tema: "A cultura como conteúdo curricular na formação do engenheiro"
Profº Wander Chaves - Inatel - Santa Rita do Sapucaí

17h30 - Exibição de curtas-metragens do NIC (Núcleo Independente de Cinema)

20h - Apresentação do violonista Ulisses Rocha - Campinas
Lançamento do CD "Só"
Local: Auditório do Conservatório

Dia 25 de agosto - quinta-feira
Seminário Cidades e Políticas Públicas
9h às 12h30 - Estado e Políticas Públicas de Cultura: os desafios da descentralização
Mônica Starling - Fundação João Pinheiro - MG

A cultura no âmbito federal: leis, programas e municipalização
Lia Calabre - Fundação Casa de Rui Barbosa - Ministério da Cultura - RJ

14h às 18h - Direito e Cultura: uma análise da legislação cultural do Brasil e sua interlocução com os municípios - Rafael Neumayr - Drumond & Neumayr - MG

Cultura e desenvolvimento local: apresentação de estudos de casos - Rômulo Avelar - gestor cultural e autor de "O avesso da cena" - MG

18h - Encerramento e recolhimento das sugestões para a elaboração do documento conclusivo do 6º Fórum Sul Mineiro de Cultura

20h - Apresentação do Grupo Le Bizarre
Local: Auditório do Conservatório

Programação paralela
Exposição de fotografias "Outro olhar"
FCPA - Foto Clube Pouso Alegre
Local: Galeria do Conservatório

Exposição "Brasil Cultural"
Alunos do Curso de Design de Interiores
Salas: 1, 2, 3 - Conservatório

Caipirarte
Oficinas, apresentações musicais, apresentação de dança, vídeos, gincana, barracas com comidas típicas,

Eleição do Conselho Municipal de Cultura: durante todos os dias estará aberto o cadastramento para a eleição do Conselho Municipal de Cultura, que ocorrerá no dia 25, a partir das 14h, no Conservatório.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Acordes da Austrália

Arquivo

Cezar Cayom divulga o país de origem tocando o didjiridoo

Jéssica Guerzoni

Cezar Cayom, 46, é um ator, artesão, músico e artista plástico. Participou de diversas peças de teatro e também novelas, entre elas, as globais Tieta (1989) e Anjo mau (1997).

Mas seu principal trabalho é com a música, especificamente com o Didjiridoo, instrumento australiano que surgiu nas terras do Arnhen, norte do país, há 40.000 anos. Ele conheceu-o em 1995, e desde então, participa de projetos e eventos, divulgando a Austrália, sua cultura nativa no Brasil.

O artista diz que tocar didjiridoo é entrar em contato com a natureza, com o som ancestral da Terra. Conta também que devido a dificuldade do aprendizado, pensou em desistir diversas vezes, mas não o fez.

Em Cachoeira de Minas, conhece Mário Augusto Guerzoni Figueiredo, 33, então estudante de Engenharia Ambiental, que acaba se interessando pelo som do didjiridoo, e em 2004, a dupla cria um movimento cultural chamado “Irmãos Didji”, com quem grava o primeiro CD intitulado Irmãos Didji-Didjiridoo Made in Brasil’.

O movimento é aberto aos tocadores e amantes do instrumento, em todo o país, promove cursos e faz um registro nacional daqueles que tocam didjiridoo e se interessem pela cultura australiana, unindo e expandindo o conhecimento técnico e cultural de todos.