A presença da organização criminosa investigada pela
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, em outros estados
seria um elemento novo, afirmou o relator deputado Odair Cunha em entrevista
nesse domingo (27).
Na ocasião o parlamentar ressaltou que a Policia
Federal não investigou pessoas que tem prerrogativas de fórum e vamos
investigar essas pessoas também nesse processo. Os trabalhos estão na fase
inicial de análise de documentos e depoimentos dos suspeitos.
A conhecida Comissão pode se prolongar até novembro
disse o deputado, com o prazo estabelecido em 190 dias de trabalho, restando
ainda 150 dias, provavelmente alguma informação contundente será concluída
nesta data.
O parlamentar se refere à comissão como “CPI atípica”
devido à série de depoimentos silenciosos que se sucedem nesse processo, “Essas
pessoas que estão vindo para a CPMI falar, muitas delas já estão indiciadas ou
estão presas e, é claro que elas vem e usam o direito constitucional de
permanecer em silêncio”, explica o relator.
A respeito dessa situação se repetir daqui pra
frente o deputado argumenta que serão ouvidas também testemunhas “Nós vamos
ouvir também pessoas que se figuram como testemunhas e testemunhas têm a
obrigação de falar e falar a verdade”.
“Nós trabalhamos com a perspectiva que feito o
inquérito, teremos condições de pedir o indiciamento de muitas pessoas, que
ainda a Policia Federal não pediu”, esclareceu o relator a respeito da PF que
investigou o jogo do bicho apenas no Distrito Federal e em Goiás.
O deputado tem expectativa que a partir daí e,
especialmente, na análise de documentos, possa haver um aprofundamento das
investigações “Ao final desse processo, nós teremos condições de concluir um
ciclo de investigação”.
A CPI sofre pressão política da oposição para
convidar governadores a prestar depoimentos, mas o deputado Odair Cunha tem
dito que neste momento um depoimento dos governantes não contribuiria para as
investigações. E conclui “Espero que a CPI desvende e jogue luz sobre essa
organização criminosa que cooptou e corrompeu muitos agentes públicos”.